
Projeto Educação Portuária será ampliado em 2026
Após alcançar cerca de mil alunos da rede municipal de Santos em sua primeira edição, o projeto Educação Portuária se prepara para uma nova fase
O Porto de Santos, o maior da América Latina, é uma engrenagem vital para o desenvolvimento econômico do Brasil. Sua presença, no entanto, gera impactos diversos sobre as cidades que o cercam — Santos, Guarujá e Cubatão — promovendo avanços econômicos e sociais, mas também trazendo desafios ambientais, urbanos e sociais.
O Porto de Santos é responsável por cerca de 29% da balança comercial brasileira e movimentou 179,8 milhões de toneladas de cargas em 2024, superando o recorde de 2023. Sua área de influência representa aproximadamente 67% do PIB nacional, com destaque para estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. Essa movimentação intensa contribui diretamente para a geração de empregos e o aquecimento da economia local.
Em Santos, 62% das empresas locais prestam serviços vinculados à atividade portuária e, em mais de um terço delas, o porto representa a maior parte do faturamento. A movimentação de cargas, incluindo 5,4 milhões de TEUs em 2024 (unidades equivalentes a contêineres de 20 pés), impacta positivamente a cadeia logística, impulsionando diversos setores, como transporte, armazenagem, comércio e serviços gerais.
A cidade de Cubatão se destaca como potencial centro logístico e industrial, com áreas retroportuárias após a Rodovia Cônego Domênico Rangoni e projetos como o Aeroporto Metropolitano e a expansão da Avenida Perimetral. Segundo o prefeito Ademário Oliveira, a cidade está preparada para receber indústrias de transformação, diversificando sua matriz econômica e criando novas oportunidades de trabalho.
⦁ Atualmente há 53 terminais:
⦁ 39 terminais do Porto Organizado
⦁ 8 terminais retroportuários
⦁ 6 terminais de uso privado (TUPs)
Esses terminais são multipropósito, movimentando e armazenando diversos tipos de cargas, como contêineres, granéis sólidos (agrícolas e minerais), granéis líquidos e carga geral.
Outro impacto positivo importante está no turismo. A temporada de cruzeiros 2024/2025 contou com 152 escalas de 14 navios, movimentando cerca de R$ 1,5 bilhão na economia e gerando aproximadamente 40 mil empregos diretos, indiretos e induzidos. Esse fluxo também estimula a revitalização urbana, como observado no bairro do Valongo, em Santos.
Há investimentos em programas de educação ambiental, recuperação de áreas degradadas, apoio a projetos esportivos para crianças e jovens, patrocínio de eventos culturais e fomento a iniciativas de inclusão social.
Em Santos, a Prefeitura criou os Termos de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigadoras e Compensatórias (TRIMMCs), que são acordos entre as empresas fazem para compensar os impactos que sua atuação geram na cidade.
Desde que foi criado, em 2015, o mecanismo proporcionou o investimento de R$ 333,7 milhões de empresas portuárias em equipamentos públicos e projetos sociais em Santos.
A atividade portuária proporciona que as Prefeituras de Santos, Guarujá e Cubatão aumentem sua arrecadação de tributos.
Em Santos, a arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) referente à atividade do porto é de aproximadamente R$ 850 milhões por ano e em Guarujá de R$ 180,5 milhões.
Santos tem ainda a arrecadação referente à cobrança de IPTU dos terminais portuários : R$ 34,8 milhões.
Existem cerca de 100 km de ferrovias internas no complexo portuário de Santos.
O modal ferroviário responde por aproximadamente 30% do transporte das cargas movimentadas.
• Sistema Ferroviário da Rumo: A Rumo possui três malhas ferroviárias no Estado de São Paulo – a Malha Paulista, a Malha Norte e a Malha Oeste. As três malhas se interligam e acessam o Porto de Santos por meio da Malha Sul.
• Corredor Centro-Sudeste da VLI: a empresa opera a Ferrovia Centro Atlântica, que faz a conexão com a Malha Paulista da Rumo na cidade de Estrela d’Oeste; ou seja, a partir dessa conexão as composições da VLI pagam o direito de passagem à Rumo pelo uso da ferrovia.
• Estrada de Ferro Santos-Jundiaí – MRS: a companhia opera potentes locomotivas Stadler no sistema de cremalheira, movimentando as cargas entre Santos e São Paulo – estação Brás.
O Porto de Santos é um grande gerador de tráfego de veículos pesados. Estima-se que cerca de 5 mil caminhões passem diariamente pela cidade de Santos, gerando congestionamentos, desgaste viário e poluição.
A falta de um pátio definitivo para caminhões agrava a situação. Santos ainda debate a localização ideal dessa infraestrutura, enquanto moradores enfrentam problemas de mobilidade e segurança no trânsito.
No Guarujá, a mobilidade urbana depende da tão debatida “ligação seca” com Santos — um túnel ou ponte sobre o canal. Embora o projeto vise melhorar a integração regional, há resistência quanto ao modelo da ponte, por possíveis impactos sobre a navegação e o fluxo urbano. A discussão se arrasta há quase um século, refletindo o impasse entre logística, meio ambiente e urbanismo.
Cubatão teme tornar-se um “depósito logístico” de caminhões com os novos pátios previstos. A cidade já sofre com sobrecarga de veículos pesados em suas vias, o que reforça a necessidade de soluções integradas de mobilidade e planejamento urbano.
Embora o documento original não trate diretamente da perda de empregos, é importante destacar que a modernização portuária, com alta automação e digitalização, transforma profundamente o perfil da mão de obra.
Equipamentos autônomos, sistemas de gestão inteligentes e a robotização de processos substituem funções operacionais tradicionais, o que pode levar à extinção de alguns postos de trabalho. Por outro lado, surgem novas oportunidades em áreas como tecnologia, engenharia, manutenção e logística avançada.
A chave está na qualificação profissional. As cidades da região precisam investir em formação técnica e capacitação para que trabalhadores possam se adaptar às novas exigências do setor.
A instalação de grandes empresas e a valorização da área portuária têm alimentado a especulação imobiliária, especialmente em Santos. A chegada da sede da Petrobras no bairro do Valongo e projetos associados à cadeia do pré-sal impulsionaram uma verticalização acentuada, transformando a paisagem urbana e pressionando o mercado habitacional.
O fenômeno atinge também a orla da praia, onde o aumento do valor dos imóveis afasta moradores tradicionais e favorece empreendimentos de alto padrão. Esse processo pode comprometer a diversidade social e descaracterizar bairros históricos.
Além disso, as expectativas criadas em torno do crescimento econômico do setor de petróleo e gás nem sempre se confirmam, deixando vazios urbanos e uma população local frustrada com o não cumprimento das promessas de desenvolvimento.
Compartilhar o artigo:
– saiba mais –

Após alcançar cerca de mil alunos da rede municipal de Santos em sua primeira edição, o projeto Educação Portuária se prepara para uma nova fase

Mais de 150 crianças participaram das atividades do projeto Educação Portuária, que tem como objetivo informações qualificadas sobre a relação Porto-Cidade, na quarta-feira (10/09). As

A história do Porto de Santos, as cargas e terminais, os impactos positivos e negativos, as oportunidades de trabalho e o papel da Autoridade Portuária

As crianças se divertiram no primeiro dia de atividades do projeto Educação Portuária, que tem como principal objetivo mostrar o funcionamento do Porto de Santos

A exportação de café foi a grande mola propulsora do desenvolvimento do Porto de Santos. Para se ter uma ideia, em 1909, no auge do

A Autoridade Portuária de Santos Em 2024, o Porto de Santos movimentou 179,8 milhões de toneladas de cargas. É um volume impressionante, que mostra a
Nos Siga:
Copyright 2025 · Todos os direitos reservados