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O Porto de Santos tem mais de 150 anos de história, mas sua importância começou a ser percebida bem antes disso.
Fundação da Vila de Santos – Braz Cubas lê o foral da Vila, pintura de Benedicto Calixo (1922), disponível na Bolsa Oficial do Café, em Santos
No século XVI, o português Braz Cubas fundou a Vila de Santos, e desde então, pequenas embarcações já movimentavam produtos pelo estuário. Em 1541, Braz Cubas transferiu o local de atracação para o estuário do Enguaguaçu (região do Valongo), com trapiches rudimentares, iniciando as atividades portuárias. Esse momento marca o surgimento da Vila do Porto de Santos e a gênese da movimentação de cargas na região.
Durante o período colonial, a infraestrutura era precária (em madeira). Com a expansão do café no século XVIII, em 1792, foi construída a Calçada do Lorena para facilitar o transporte das cargas, por mulas. Em 1867 foi inaugurada a São Paulo Railway, e a viagem entre o Planalto e o Porto, que podia levar dias, passou a ser feita em apenas quatro horas.
Em 1888, empresários como Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle conseguiram a concessão para explorar o porto, por 90 anos. O grupo Gaffrée & Guinle criou a Companhia Docas de Santos (CDS) e investiu pesado em cais, armazéns, guindastes e infraestrutura, tornando o porto mais moderno.
Em 2 de fevereiro de 1892, foram inaugurados os primeiros 260 metros oficiais de cais, com a atracação do navio inglês Nasmith.
Entre 1891 e 1909 foram construídos os primeiros 5 km de cais, aumentando a movimentação de 125 mil toneladas por ano em 1892 para mais de 1,5 milhão, em 1909.
Francisco de Paula Ribeiro, ou Chico de Chico de Paula, era um gaúcho que chegou a Santos com 16 anos e teve como primeiro emprego varredor em um armazém. Com muito empenho e resiliência, conseguiu ascensão econômica, chegando a ser presidente da Associação Comercial de Santos. Em 1888, convenceu os amigos Guinle e Grafée da oporutuidade que era construir um porto em Santos. Como não tinha recursos financeiros, entrou na sociedade com a força do trabalho, comandando a construrção da primeira fase do cais.
Obras para a construção da estrada ao porto de Santos em 1870. Foto atribuída a Militão Augusto de Azevedo
Porto de Santos em 1889, óleo sobre tela de Benedicto Calixto
Eduardo Guinle e engenheiros que projetaram o cais do Porto de Santos
Pedra fundamental do Cais do Valongo, em 1901. Ao centro, o engenheiro Guilherme Benjamin Weinschenk
A exportação de café foi a grande mola propulsora do desenvolvimento do Porto de Santos. Para se ter uma ideia, em 1909, no auge do ciclo do produto, o chamado “ouro verde” representava 95,8% da operação do porto. Neste ano, o porto movimentou mais de 13 milhões de sacas de café de 60 quilos, consolidando o Brasil como o maior exportador do produto.
O desenvolvimento da infraestrutura portuária, como os armazéns alfandegados e os trechos de cais construídos pela Companhia Docas de Santos (CDS), foi moldado para atender essa demanda.
O Brasil continua sendo o maior produtor e exportador de café do mundo, sendo responsável por cerca de 38% da produção global.
Em 2024, o Brasil exportou 50,4 milhões de sacas de 60 kg para 116 países, sendo 71% deste total pelo Porto de Santos.
Em 2024, o porto exportou 2,3 milhões de toneladas de café em grãos, aumento de 50,3% em relação ao ano anterior.
Isso representa cerca de 70% do café exportado pelo Brasil.
O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, com 54,21 milhões de sacas de 60 kg em 2024.
Embarque de Café em 1901 (Foto do acervo do Instituto Moreira Salles)
Carregadores de Café
Cartão-postal vendido em Paris
Embarque de Café em 1928 (Acervo do Museu do Café)
Cartão postal, data indefinida
Vista do porto em 1928
Vista do porto em 1937
Vista do porto em 1957
Vista do porto em 1962
Vista do porto em 1970
Com o fim do contrato com a Companhia Docas de Gafrée e Guinle, em 1980, o porto passou a ser comandado por uma estatal federal, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
⦁ Em 25 de fevereiro de 1993, foi promulgada a Lei dos Portos (8.630/93), que transferiu a operação portuária para o setor privado, criando o modelo “landlord port”. A Codesp (atual APS) passou a administrar a infraestrutura e a mão de obra, pelo Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO).
⦁ A mudança impulsionou o crescimento de movimentação, de 40 milhões de toneladas em 1993 para 173 milhões em 2023.
Em 2013, a promulgação da Lei 12.815/13 (conhecida como nova Lei dos Portos) flexibiliza a instalação de Terminais de Uso Privado (TUPs) e recentraliza em Brasília o planejamento e as licitações de arrendamentos portuários.
Nas últimas décadas, o Porto registrou grandes ampliações, modernizou suas instalações e incorporou novas tecnologias, operando com terminais especializados para contêineres, carga geral, granéis sólidos e líquidos. Consolidou-se, assim, como o maior complexo portuário do País, quebrando recordes consecutivos de movimentação de carga e figurando recorrentemente entre os maiores portos do mundo.
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